Interações na educação online (e-learning)

2 06 2011

Uma das atividades disponíveis na Jornada Virtual ABED de EAD – JOVAED será uma discussão no Moodle com Atsusi Hirumi (Design and Sequencing of E-learning Interactions).

O material é todo em inglês e resolvi fazer um pequeno resumo em português do texto:

HIRUMI, Atsusi. Analysing and designing e-learning interactions. In: JUWAH, Charles (Ed.). Interactions in online education: implications for theory and practice. New York, N.Y.: Routledge, 2006. p. 46-71.

Aqui vai…

            Hirumi (2006) apresenta uma diferente proposta (framework) para classificar as interações na educação online, apresentada na figura abaixo:

Framework e-learning Hirumi(2006)

            O framework proposto por Hirumi (2006) pressupõe três níveis interrelacionados de interações que devem ser planejadas como parte integrante do e-learning.

            As interações no nível 1 (Level I: Learner-self interactions) consistem em operações cognitivas que constituem os processos de aprendizagem internos do sujeito. O framework não adere qualquer teoria ou epistemologia de aprendizagem em particular. Assim, as operações específicas que ocorrem na mente do sujeito-aprendente dependem da crença epistemológica do sujeito que aplica este framework.

            As interações do nível 2 (Level II: Learner human and non-human interactions) ocorrem entre o sujeito-aprendente e outros recursos humanos e não-humanos. Este nível é composto por sete classes de interações:

            a) aluno-interface: a interface do usuário serve como ponto principal, mas não necessariamente o único meio de interação com os recursos humanos e não humanos. Deve ser projetada de forma a possibilitar e facilitar o acesso do estudante às diferentes ferramentas, ao acesso de conteúdos e à interação com os outros;

            b) aluno-professor: interações que ocorrem entre os alunos e o professor;

            c) aluno-aluno: interações que ocorrem entre os estudantes ou entre grupos de estudantes, com ou sem a presença do professor;

            d) aluno-outras interações humanas: Hirumi (2006) afirma que um número cada vez maior de cursos online solicita aos estudantes a comunicação com outros sujeitos de fora da classe formal, a fim de promover a construção do conhecimento e o discurso social. Na educação essas interações podem incluir trocas com outros professores ou ainda especialistas em diferentes áreas. Essas interações podem ser online ou face-a-face;

            e) aluno-conteúdo: ocorrem quando os estudantes acessam áudio, vídeo, texto ou representações gráficas da matéria/conteúdo em estudo;

            f) aluno-ferramenta: interações entre os estudantes e diferentes ferramentas componentes do ambiente virtual de aprendizagem ou fora dele, como e-mail, chat, fórum de discussão, ou ainda editores de texto e demais aplicativos;

            g) aluno-ambiente: estas interações ocorrem quando os estudantes visitam espaços ou trabalham em recursos fora do ambiente computacional, como, por exemplo, uma visita-técnica ou a utilização de um laboratório.

            As interações do nível 3 (Level III: Learner-instruction interactions) definem as estratégias de e-learning que orientam o design e a sequência de interações do nível 2.

            Para Hirumi (2006), tanto um número reduzido quanto um grande número de interações pode resultar em insatisfação para professor e alunos. Assim, um adequado planejamento das interações é imprescindível para uma proposta efetiva de e-learning. O autor sinaliza que a proposta de programas para a educação online requer a pesquisa e o desenvolvimento de novos métodos que utilizem as possibilidades e potencialidades das tecnologias de informação e comunicação tanto para o desenvolvimento de aprendizagem colaborativa quanto para o estudo independente.

 Para saber +… participe da discussão na JOVAED!

:-)





Jornada Virtual ABED de Educação a Distância

26 05 2011

A I Jornada Virtual ABED de Educação a Distância – JOVAED acontece entre os dias 10 a 21 de junho de 2011, e é uma promoção da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED).

O evento é gratuito e a distância!

O Aprendiz de EAD no Brasil – Quem é, do que Precisa? é o tema desta Jornada que se realiza por meio atividades assíncronas e síncronas (em tempo real) em diversas plataformas da Web, tais como: listas de discussão, fóruns, ambientes virtuais de aprendizagem, redes sociais, blogs e microblogs, wikis, podcasts, vídeos, videoconferências e webconferências, rádio, televisão, games e mundos virtuais.

 Como se inscrever?  http://www.abed.org.br/jovaed2011/

Consulte a programação em  http://www.abed.org.br/jovaed2011/programacao.asp

Eu estarei mediando uma discussão sobre PLE e PLN – Aprender em rede: personal learning environments e personal learning networks





Personal Learning Environments: uma abordagem ou uma nova tecnologia?

26 10 2010

O texto de Fiedler e Valjataga (Personal learning environments: concept or technology?) apresenta uma discussão sobre os diferentes conceitos de PLE.

Os autores apontam 2 linhas:

a) PLE, como uma abordagem ou um conceito (já abordado em posts anteriores);

b) PLE, como sistemas ou coleções de ferramentas.  Neste caso, parece que os PLE são entendidos como ambientes de aprendizagem individuais, não enfatizando uma abordagem de colaboração na web.

E aí os autores perguntam… esta variedade de conceitos estaria relacionada à formação profissional dos professores, ou seriam contradições fundamentais?

Os autores alegam que profissionais da Computação tendem a enfatizar ferramentas. Por outro lado, a área da educação tende a enfatizar as abordagens. Que tal?

Entretanto, o artigo destaca que a diversidade de conceitos pode ter origem em um  “conflito de interesses”. Por um lado, as instituições educacionais fizeram/estão fazendo investimentos no desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem (ou LMS), projetados especialmente para as demandas internas. Por outro lado, as pessoas estão utilizando diferentes ferramentas disponíveis na web para melhorar diversas atividades e isto inclui, também, atividades educativas.

E agora?

Penso que dá para fazer um relação com Castells (2003 – A galáxia da Internet), quando ele afirma que a Internet possibilita um novo padrão de sociabilidade: o individualismo em rede.

“O individualismo em rede é um padrão social, não um acúmulo de indivíduos isolados” (Castells, 2003, p.109).

Assim, Castells entende que os novos desenvolvimentos tecnológicos podem aumentar as possibilidades do individualismo em rede se tornar a forma dominante de sociabilidade, permitindo nosso envolvimento em “comunidades personalizadas”.

Refletindo sobre as leituras realizadas até o momento, entendo que um conceito de PLE deve enfatizar uma abordagem baseada na cooperação, a partir de uma perspectiva de “individualismo em rede”, que é possível a partir das diferentes ferramentas de interação e colaboração na web.

Preciso refletir mais sobre isso…mas entendo que é por aí…





Personal Learning Environment ou LMS (AVA)?

17 10 2010

O texto Web 2.0, Personal learning environments and the future of LMS, De Niall Sclater apresenta uma discussão sobre as diferenças entre os PLE e um LMS (conhecido também como AVA). O autor comenta que os sites de redes sociais, os blogs e wikis permitem criar e compartilhar conteúdos e interagir com outras pessoas. Estes “sites” permitem customização e um “senso de pertencimento”, que é impossível nos LMS.

O autor destaca que a maioria dos debates sobre as limitações dos LMS estão acontecendo na blogosfera, enquanto a discussão (estudos teóricos) está se centrando no estudo do conceito de PLE. Vários autores entendem que os PLE vão substituir os LMS. Será? Depois da experiência no Open Course PLENK talvez eu possa comentar mais sobre isto…





Sobre Personal Learning Networks (PLN)

27 09 2010

No post anterior esbocei minhas primeiras reflexões sobre o conceito de PLE. Entendo (ou melhor…as leituras apontam…) que o conceito de PLN é complementar.

Downes, no texto Learning networks in practice, ressalta que a aprendizagem em rede pode ser entendida a partir de duas perspectivas:

- “networks to support learning” ou redes de apoio a aprendizagem;

- “networks that learn” ou redes que aprendem.

Entretanto, Downes aponta que “though these may seem to be very distinct, the central thesis of  ‘learning networks’  as a theory is that these two things are one and the same“. Traduzindo…embora estas perspectivas possam parecer muito distintas, a tese central das “redes de aprendizagem” como uma teoria é que essas duas coisas são a mesma coisa.

Para o autor, as redes de aprendizagem se constituem a partir de 4 princípios: diversidade, autonomia, interatividade e openness (não achei uma ótima palavra para traduzir, mas significa algo como “aberta”):

a) diversidade: as entidades da rede devem ser diversas, pois a diversidade nos permite ter múltiplas perspectivas (ênfase nos laços fracos);

b) autonomia: cada entidade opera de forma independente das outras. Downes aponta que a autonomia é permitida/habilitada por meio do software pessoal (na web 2.0 → blog e na aprendizagem → PLE);

c) interatividade ou conectividade: o conhecimento produzido na rede deve ser um produto da interação entre os membros (e não uma agregação);

d) openness: cada entidade na rede deve ser capaz de contribuir com a rede e de e de receber da rede.

Downes sugere que estes princípios possam ser utilizados na prática como métricas para selecionar e desenvolver tecnologias de aprendizagem.

Dave Cormie, no texto  5 points about PLEs PLNs for PLENK10,  comenta sobre a diferença entre PLE e PLN, ou melhor, a diferença entre environment (ambiente) e network (rede). Ele entende que as pessoas que falam em PLN estão se concentrando nas pessoas que compõem o aprendizado que eles estão fazendo e que as pessoas que falam em PLE são mais preocupados com a tecnologia (Blogs, wikis, páginas web, fóruns, transmissões, etc …).

Assim, para Dave Cormie, “PLEs are the ecologies within PLN operate”.

Alec Couros apresenta outro conceito interessante sobre PLN no texto Developing Personal Learning Networks for Open and Social Learning. Para ele:

“A PLE can be seen as a manifestation of a learner’s informal learning processes via the Web” (p . 125).

“Definitions of PLNs, however, seem to extend this framework to more explicitly include the human connections that are mediated through the PLE. In this framework, PLEs become a subset of the substantially humanized PLN. For reference in the remainder of this section, my PLN definition is simple: personal learning networks are the sum of all social capital and connections that result in the development and facilitation of a personal learning environment” (p. 125).

Como tarefa da semana 2 do #plenk2010, esbocei um mapa conceitual sobre PLE e PLN. Também pode ser acessado em http://twitpic.com/2qnzzy.





O que são Personal Learning Environments?

21 09 2010

O texto de Stephen Downes, intitulado Learning networks in practice, é uma boa sugestão para começar a entender o conceito de PLE.

Conforme o autor, os LMS (learning management system – aqui mais conhecido como ambiente virtual de aprendizagem – AVA) emula/simula/reproduz a sala de aula online. Entretanto, o potencial de interação e comunicação oportunizado pela web 2.0 vem redefinindo o conceito de online learning.

Downes (p. 19) afirma que “the idea behind the personal learning environment is that the management of learning migrates from the institution to the learner” .

Assim, os estudos sobre aprendizagem online estão “passando” de LMS → para PLE (vou aprofundar isto + tarde em outro post).

Bom, o autor sustenta que o PLE e a web 2.0 apoiam-se nos mesmos valores:

- a emergência das redes sociais e comunidades (aprender em comunidades);

- a ênfase na criação e não apenas no consumo;

- a descentralização do conteúdo e do controle.

Nessa perspectiva, o PLE permite que o aluno não seja apenas um consumidor de recursos/conteúdos, mas que também seja produtor! (consumidor →  produtor). O PLE constitui um “portal para o mundo”, onde os alunos podem explorar e criar, de acordp com seus interesses e direções, interagindo com seu amigos e em diferentes comunidades.

Importante destacar que PLE não é uma aplicação de software, mas uma “mistura” de diferentes aplicações e serviços.

Em http://edtechpost.wikispaces.com/PLE+Diagrams estão compilados diferentes diagramas sobre PLE. Vale a pena dar uma espiada!

Outro texto interessante sobre o assunto é Developing Personal Learning Networks for Open and Social Learning, de Alec Couros.  Para Couros, PLE  ”are the tools, artefacts, processes, and physical connections that allow learners to control and manage their learning (p. 125)”.

Dessa forma, o PLE pode ser entendido como a manifestação do processo de aprendizagem informal do aluno na Web.

Mas a discussão não termina por aí…tem outra denominação que “anda junto” com PLE…PLN (personal learning networks). Isso fica para o próximo post…mas quem quiser adiantar…a dica é acessar o blog de um dos facilitadores do open course: http://davecormier.com/edblog/2010/09/12/5-points-about-ples-plns-for-plenk10/





Meu primeiro open course: Personal Learning Environments (PLE), Networks and Knowledge

21 09 2010

Estou participando de um open course chamado Personal Learning Environments, Networks and Knowledge, promovido por meio de parceria entre National Research Council of Canada (Institute for Information Technology, Learning and collaborative Technologies Group, PLE Project), The Technology Enhanced Knowledge Research Institute at Athabasca University and the University of Prince Edward Island.

Os facilitadores são: George Siemens, TEKRI, Stephen Downes, NRC, Dave Cormier, UPEI, Rita Kop, NRC.

Bom, o curso acontece ao longo de 10 semanas e envolve mais de 1000 participantes! Uma grande experiência de educação online no “formato” MOOC (massive open online course). 

Interessante ver este mapa de participantes elaborado no GoogleMaps! http://bit.ly/cEGk8M

O curso envolve a discussão sobre PLE (personal learning environmentes) e PLN (personal lerarning networks). Fomos desafiados a criar nosso PLE e constituir nossa PLE, compartilhando a experiência por meio de diferentes ferramentas online.

Bom, uma das tarefas é compartilhar a experiência e as (muitas) leituras por meio de postagens no blog.  Então…estou começando!   ;-)





Retomando…

22 04 2010

Não tinha me dado conta de quanto tempo se passou desde a última postagem…Bom, agora resolvi retomar o blog, mas com um formato diferente, a fim de abrir um espaço para apresentar as pesquisas que venho desenvolvendo. Assim, além de um espaço para compartilhar novidades, penso que este blog pode ser um importante espaço de discussão coletiva.

Atualmente estou finalizando um projeto de pesquisa sobre a constituição de comunidades virtuais de aprendizagem no fórum de discussão.  Os resultados estão interessantes e vou começar a compartilhar com vocês no próximo post. Até!





3º Seminário Blogs Feevale

18 09 2009
Puxa, tenho que confessar que depois que comecei a utilizar o twitter acabei deixando o blog desatualizado. São linguagens diferentes, mas o twitter é super dinâmico. Você me acha lá em @patriciab.

Bom, mas quero falar aqui do 3º Seminário Blogs: Redes Sociais e Comunicação Digital na Feevale. 

A proposta do seminário é abordar a influência das redes sociais na web na comunicação digital a fim de promover a compreensão deste cenário para que se possa agir nele de forma eficaz.

Para saber +, passa em http://seminarioblogs.ning.com e te cadastra na rede!

3seminario_blogs





Livros online

19 06 2009

Nos últimos meses o pessoal da área da Cibercultura vem lançando vários bons livros. Muitos estão disponíveis tanto na versão impressa quanto digital (para download).

Já indiquei alguns por aqui e outros em delicious.com/pbassani, mas resolvi concentrar tudo neste post.  Se alguém souber de mais alguns, favor avisar.

a) Futuros imaginários: da máquina pensante a aldeia global (o livro vai ser lançado no RS no final do mês no Forum do Software livre)
Site: http://futurosimaginarios.midiatatica.info
Link para download: http://futurosimaginarios.midiatatica.info/futuros_imaginarios.pdf

b) Redes Sociais na Internet (Raquel Recuero):
Site para download: http://www.redessociais.net/

c) Para entender a Internet: o livro é organizado por Juliano Spyer (http://www.naozero.com.br/) e conta com 38 autores, entre eles Alex Primo, Raquel Recuero  e Sergio Amadeu.
Site: http://paraentenderainternet.blogspot.com/

d) Blogs.com (da minha colega da Feevale, profa. Sandra Montardo et al)
Site: http://www.sobreblogs.com.br/

e) Além das redes de colaboração (organizado por Nelson De Luca Pretto e Sérgio Amadeu
Site: http://rn.softwarelivre.org/alemdasredes/wp-content/uploads/2008/08/livroalemdasredes.pdf
 
Algumas revistas:
a) RBIE – Revista Brasileira de Informática na Educação (todo acervo dos últimos 10 anos online)
http://bibliotecadigital.sbc.org.br/?module=Public&action=PublicationObject&subject=209&publicationobjectid=98

b) Revista Espírito Livre (revista digital sobre software livre – já está na 3ª edição)
Site para download: http://www.revista.espiritolivre.org/

c) RENOTE: Revista Novas Tecnologias na Educação
Site: www.cinted.ufrgs.br/renote
 
Boa leitura!  :-)








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